26.4.17

AS ACTIVIDADES DE MAIO-JUNHO

Paralelamente ao trabalho silencioso no espólio de M. G. Llansol, continuamos neste trimestre com as nossas actividades públicas, de que damos notícia, até Junho: uma conferência de João Barrento sobre a presença de Musil na Obra de Llansol (no Goethe-Institut/Instituto Alemão de Lisboa); uma exposição de obras do artista plástico a. guerra santos («Adua»), uma série de grafites feitas a partir de textos de Llansol, que mostraremos no MU.SA-Museu das Artes de Sintra, em conversa com o artista e Rita Benis (do Centro de Literatura Comparada Margarida Losa, Porto); e um grande colóquio internacional em torno da presença do grande místico árabe da Península Ibérica Ibn'Arabî, em colaboração com o Centro de Filosofia da Faculdade de Letras de Lisboa e a Sociedade Ibn 'Arabî de Murcia (na Faculdade de Letras de Lisboa, com participantes de Espanha, Itália, Brasil e Portugal).


Para cada uma destas sessões contaremos com os habituais «Cadernos da Letra E» com textos éditos e inéditos de Llansol: «A experiência estética da Alma» - Musil e(m) Llansol, M. G. Llansol / a. guerra santos, As Formas do Mistério e A Imaginação do Amor: Llansol e Ibn 'Arabî.
E haverá ainda, em Junho, a apresentação da nova edição d' O Livro das Comunidades, comemorativa dos quarenta anos deste livro, com colagens de Pedro Proença, de que deixamos já um exemplo.



23.4.17

COM LLANSOL NO DIA DO LIVRO


[Anotação de Maria Gabriela Llansol no 3º volume do seu exemplar de 
O Homem sem Qualidades, de Robert Musil]

20.3.17

OS FILMES DE LLANSOL:
Agnès Varda, Os Respigadores e a Respigadora


No próximo sábado, dia 25, às 16 horas, mostraremos no MU.SA-Museu das Artes de Sintra, um dos filmes de Llansol, cuja temática – o lugar dos «restos» e os modos da sua intervenção nas nossas vidas – acompanha a obra da escritora desde, pelo menos, A Restante Vida (1983).
Leremos excertos sobre o tema da «Vida Restante e o resto actuante» e comentaremos o filme na sua ligação com a escrita de Maria Gabriela Llansol. E haverá um caderno, recuperado de um encontro de 2005, em que Llansol comenta este filme com alguns dos que na altura lhe eram mais próximos.

9.3.17

LLANSOL, PESSOA E O «ENTRESSER»

Está disponível na Internet a intervenção de Paulo Borges,  professor  de  Filosofia  da Faculdade de Letras de Lisboa,  no  último  Congresso Interna-cional  sobre  Fernando  Pessoa,  a  propósito  da noção llansoliana do «entresser»  e  suas ligações com a pessoana do «entre» (designada de gap, no poema inglês  de  Pessoa  que Paulo Borges toma como referência).
A excelente e clarificadora palestra de Paulo Borges – «Vazio, interlúdio e entresser. A metamorfose de F. Pessoa em M. G. Llansol» – pode ser ouvida no link que se segue, indo à secção do Congresso intitulada «Pessoa nos outros»:  https://educast.fccn.pt/vod/channels/czvi0s1ug


8.3.17

COM LLANSOL, NAS PORTAS DO RÓDÃO


No passado sábado, dia 4, levámos a Obra, a vida, os lugares de Maria Gabriela Llansol à Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão. Com sala cheia e um público motivado, em grande parte proveniente do Círculo de Leitura local, João Barrento, Maria Etelvina Santos e Albertina Pena falaram da importância e da variedade dos lugares de escrita e vida de Llansol, dos modos de leitura que o seu texto pede, da experiência das duas escolas alternativas que criou na Bélgica. O Presidente da Câmara de Vila Velha de Ródão abriu a sessão, com a incansável bibliotecária, Graça Batista, e a poeta Marta Chaves encerrou a longa tarde – que ainda se prolongou com muitas intervenções da sala – com um depoimento vivo e empenhado sobre a sua descoberta dos livros de Llansol aos dezassete anos e a sua convivência com eles até hoje. E mostrámos ainda três videos, sobre os lugares de Llansol, a sua experiência de exílio e as «escolas globais» da Rua de Namur, em Lovaina, e da La Maison, em Louvain-la-Neuve.
Deixamos aqui uma sequência de imagens que reconstitui alguns momentos desta agradável e intensa sessão (e que também agradecemos à Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão).



3.3.17

FAZ HOJE NOVE ANOS…

… que Maria Gabriela Llansol empreendeu a grande viagem. Evocamos a sua memória da melhor maneira que conhecemos – com o seu próprio texto, que nos proporciona sempre «toda a espécie de encontros».


1.3.17

LLANSOL NAS «TERÇAS DE POESIA CLANDESTINA»


Na próxima terça-feira, dia 7 de Março, pelas 21.30, o texto de Llansol ocupará parte da 62ª sessão das «Terças de Poesia Clandestina (TPC» do colectivo Reunião de Apócrifos Foragidos (RAF). Depois da leitura de textos da jovem poeta Inês Francisco Jacob e do Diário de Al Berto, os actores João Grosso, Nídia Roque e Mariana Portocarrero lerão dois blocos de textos de Maria Gabriela Llansol (de vários livros, entre eles Onde Vais, Drama-Poesia? e O Começo de um Livro é Precioso, e também de cadernos inéditos). João Barrento comentará os excertos lidos a partir do ponto de vista de «um texto que vem do futuro».
A sessão realiza-se no bar Titanic sur Mer (Cais da Ribeira Nova, Cais do Sodré).

25.2.17

LLANSOL EM VILA VELHA DE RÓDÃO

No próximo sábado, dia 4 de Março, entre as 15 e as 18 horas, o espaço da Biblioteca Municipal de Vila Velha de Ródão irá respirar o espírito do texto e do universo de Maria Gabriela Llansol. Com intervenções várias, de Maria Etelvina Santos e João Barrento, Albertina Pena e a poeta Marta Chaves, evocaremos a escrita e os lugares de Llansol, as escolas que fundou na Bélgica e o rasto que deixou em alguns dos seus legentes.
O programa completo é o que se segue:

19.2.17

O RAIO SOBRE O LÁPIS
NA BIBLIOTECA MUNICIPAL DE SINTRA


Tivemos ontem a primeira sessão da «Letra E» do Espaço Llansol, com a primeira leitura integral de um livro de M. G. Llansol, O Raio sobre o Lápis. Pequeno livro-síntese que condensa muitos dos temas recorrentes da sua escrita e reflecte uma fase da sua vida, em Colares, muito centrada no significado dos objectos, nas deambulações «em passo de pensamento» pelo pinhal e na ocupação com vários livros que sairiam nos anos noventa (Um Beijo Dado Mais Tarde, Amar um Cão, Hölder, de Hölderlin e Lisboaleipzig) e que se projectam já na escrita concentrada, múltipla e altamente imagética daquele pequeno livro, a que os desenhos de Julião Sarmento acrescentariam ainda uma outra dimensão.
Da introdução ao caderno que fizemos para a ocasião, e que situa o livro lido no contexto que o viu nascer, a grande série de eventos artísticos e literários que decorreu durante o ano de 1991 na Bélgica, a Europalia, destacamos alguns momentos que contextualizam esta sessão. 


Do pinhal de Colares
ao extremo ocidental do Brabante

De Setembro a Dezembro de 1991 tem lugar em Bruxelas e noutros lugares da Bélgica o grande evento europeu denominado Europalia (XIª Bienal das Artes e da Cultura), que congrega de dois em dois anos escritores e artistas de um país europeu. Nesse ano o país escolhido foi Portugal, o evento foi comissariado por Emídio Rui Vilar e Eduardo Prado Coelho (para a literatura e teatro) e contou com a participação de muitos escritores e artistas portugueses de então, entre eles Maria Gabriela Llansol. 
Para além da sua intervenção de fundo em Bruxelas, publicada três anos depois em Lisboaleipzig I com o título «O extremo ocidental do Brabante», Llansol contribui para o catálogo da exposição no Museu de Arte Contemporânea de Gand com um texto não publicado em livro até hoje – «As linhas do mundo», uma breve «theoria» do texto e da sua relação com o corpo, o pensamento e o conhecimento, que se reproduz neste caderno –, e que aí era acompanhado por uma série de desenhos do pintor Julião Sarmento, também aqui reproduzidos.
Desenho de Julião Sarmento na exposição da Europalia
[…]

Paralelamente a estas intervenções e exposições, cada escritor teve na ocasião uma edição especial de um texto seu. Llansol escreve então O Raio Sobre o Lápis, um pequeno livro que dá conta do seu quotidiano desse tempo, das deambulações por Colares e Praia das Maçãs, e da sua relação muito especial com «o pinhal» a meio do qual se situava a sua casa de «Toki Alai». Também para esse livro – de que faremos a leitura integral nesta sessão da «Letra E» – Julião Sarmento produziu uma série de desenhos, entre eles alguns de objectos escolhidos por Llansol («os objectos, os verdadeiros livros fechados»), que pontuam o texto daquele pequeno livro: a mesa de ferro pintada do jardim de «Toki Alai», a bilha de barro e a «estátua de leitura» de Um Beijo Dado Mais Tarde, a de Sant'Ana ensinando a ler a Myriam (que acabou por não entrar em O Raio sobre o Lápis, mas cujo original ficou no espólio de Maria Gabriela Llansol). Como sempre acontece em Llansol, também nestes anos vários livros e textos se tocam e cruzam, progridem e se concluem:  O Raio sobre o Lápis e Amar Um Cão, Um Beijo Dado Mais Tarde e já Hölder, de Hölderlin, e ainda o grande projecto de Lisboaleipzig.
O pequeno livro dos objectos e das deambulações que sai no âmbito da Europalia, feito a quatro mãos, e em grande sintonia, com Julião Sarmento, vai sendo preparado em Colares nos finais de 1990. Disso dá conta um dos textos que podemos encontrar num dos cadernos manuscritos, e depois desenvolvido num dossier dactiloscrito, que transcrevemos a abrir o caderno de hoje. E pela mesma altura o fotógrafo Álvaro Rosendo acompanha a Maria Gabriela na casa e pelo pinhal de Colares e faz a reportagem fotográfica de onde sairiam as fotografias para a documentação da Bienal da Bélgica (também algumas dessas fotos se podem ver neste caderno). 
Uma das fotografias do «pinhal» (Álvaro Rosendo)
*
A leitura de O Raio sobre o Lápis, sobre desenho de Julião Sarmento: O Vasco, a Inês, a Beatriz

No final, depois da excelente leitura do livro por três poetas muito jovens ligados ao projecto da revista de poesia Apócrifa (Beatriz Almeida Rodrigues, Inês Amoras e Vasco Macedo), Maria Etelvina Santos e João Barrento, seguindo a ideia llansoliana de que «ler é nunca chegar ao fim de um livro», lançaram perguntas e conversaram com o público sobre algumas questões, imagens, focos de sentido a partir de O Raio Sobre o Lápis, e que lançam luz sobre os modos de olhar e os processos de escrita de Llansol. Por exemplo: que significa a figura do falcão, nas suas múltiplas implicações e relações? Por que é que os objectos «são menos se não forem murmurados pelas palavras»? Quais os modos da sua figuração? Como se libertam do tempo ao ocuparem um espaço próprio? Qual o lugar da figura da infância nesta escrita? O que está aquém e além da «dobra de outro horizonte», para onde se orientam as palavras que criam o real neste texto? Que ritmos são os desta escrita, em que o andamento lento da atenção alterna com a fulgurância de focos de intensidade?

12.2.17

O RAIO SOBRE O LÁPIS
LIDO, COMENTADO, CONTEXTUALIZADO

No próximo sábado, dia 18, pelas 16 horas, retomamos as actividades regulares da «Letra E» do Espaço Llansol. Vamos ter na Biblioteca Municipal de Sintra um grupo de poetas jovens (os «Apócrifos») a ler Maria Gabriela Llansol, mais exactamente o pequeno livro dos objectos e das deambulações, O Raio sobre o Lápis, de 1991.


Nesse ano aconteceu na Bélgica um grande evento europeu, em que Portugal foi país-tema, a Europália. Llansol participa, com outros escritores e artistas, um dos quais – Julião Sarmento –  fará vários desenhos para este livrinho. Falaremos deste enquadramento do livro, das ligações de Llansol com aquele pintor e também com o fotógrafo Álvaro Rosendo. E comentaremos sobretudo as suas deambulações e meditações pelos pinhais de Colares, entre o Mucifal e a Praia das Maçãs, fonte da sua escrita para esse livro e outros textos, inéditos, que daremos a conhecer no caderno que fizemos para esta ocasião, que inclui todos os desenhos de Julião Sarmento e muitas das fotografias feitas por Álvaro Rosendo em 1990, nos lugares de que falam os textos.


[A Biblioteca Municipal de Sintra - Casa Mantero, fica a dois passos da estação, na Rua Gomes de Amorim, 12]