9.1.18

OH, OH, OH! A CASA DA AVÓ
O recomeço, com os mais pequenos


A Casa de Julho e Agosto inicia as suas actividades regulares com o regresso à história escrita por M. G. Llansol com as crianças da escola «La Maison», na Bélgica, em 1975. Dessa experiência pedagógica do «Contra-grupo Alpha» participou também Augusto Joaquim, que se encarregaria de dinamizar a parte visual, estimulando as crianças a fazer uma série de perto de oitenta desenhos, que  temos no Espaço Llansol e mostraremos no próximo dia 20, sábado, às 16 horas, em Campo de Ourique.
A nossa sessão, destinada a crianças dos 5 aos 10 anos, será uma oficina de leitura e desenho dinamizada pelas professoras Albertina Pena e Celeste Pedro. Projectaremos um pequeno video com leitura de parte da história Oh, oh, oh, a Casa da Avó, e haverá um caderno com o texto integral em português e um extratexto com desenhos das crianças da Bélgica.
Venham e tragam a criançada!


28.12.17

À ENTRADA DO NOVO ANO


14.12.17

«AS HORAS EXTRAORDINÁRIAS»
NO ESPAÇO LLANSOL 


A Rádio Televisão Portuguesa (RTP 3) esteve recentemente na nova casa do Espaço Llansol, com o programa «As horas extraordinárias», que nesse dia se passou totalmente neste novo Lugar que acolhe o espólio e a memória de Maria Gabriela Llansol. A meio do programa, entre os minutos 13.24 e 16.50, a realizadora do programa, Teresa Nicolau, conversou com João Barrento sobre o novo Espaço, o seu espírito e a herança de Maria Gabriela, em especial a da sua escrita.
Pode ver o programa no link que se segue e seleccionar o período acima referido da emissão global:
https://www.rtp.pt/play/p3140/e320350/as-horas-extraordinarias


13.12.17

«ENTRE»
Um espectáculo experimental a partir de Llansol
em cena no Brasil


Está em cena até Domingo, no Centro de Juventude de Belo Horizonte, o espectáculo-exposição concebido por Isadora Bellavinha, artista performática e teatral, mestranda em Artes da Universidade Federal de Minas Gerais e amante de Llansol, intitulado «Entre – Uma casa que se torna». A notícia é dada hoje pelo portal brasileiro «Hoje em dia», mas a autora do espectáculo está desde há meses em contacto com o Espaço Llansol, e sabemos que ele virá a Portugal em Setembro do próximo ano, integrado no Festival Muscarium, do Teatro Mosca de Sintra (e eventualmente noutros locais).
Damos a seguir a notícia de hoje no portal brasileiro, e deixamos também a informação de que já dispomos sobre este espectáculo original todo ele inspirado no universo de Maria Gabriela Llansol.

“Entre–uma casa que se torna” é uma experimentação plástica, musical e performática inspirada na obra da escritora portuguesa Maria Gabriela Llansol, que ocupa o Centro de Referência da Juventude (Praça Rui Barbosa, 50, Centro) desta quarta-feira (13) até domingo (17). A obra busca resgatar os valores estéticos e filosóficos da autora para outras linguagens artísticas.

Reinventar a cena física e sonora a partir de Llansol

O trabalho é composto por uma instalação de cerca de 70m² e pelo espetáculo-performance de mesmo nome. O espaço é conjugado e reconfigurado numa sobre-impressão de ambientes abertos aos visitantes, composta por paredes de tecido translúcido, cômodos dispostos de maneira inusitada, plantas e objetos que remetem a um lar. Assim, a instalação busca simultaneamente acolher o desejo de criar recantos de refúgio e resistência em meio a loucura que se alastra pelo mundo atual.







27.11.17

A FESTA

Com o dia do regresso a casa (24 de Novembro, dia em que Maria Gabriela Llansol faria oitenta e seis anos), com o Espaço Llansol no seu lugar de origem, veio também a desejada chuva, sinal de um renascer deste país à míngua de água… E a sala grande encheu-se de amigos e interessados na Obra de Llansol.




A Vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Dra. Catarina Vaz Pinto, recordou o seu empenho em conceder ao Espaço Llansol  e ao legado de Maria Gabriela um lugar condigno na cidade que a viu nascer, e como isso aconteceu em tão pouco tempo, e como esse espaço se situa numa convergência de vida e escrita que não podia estar mais carregada de simbolismo. O Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Dr. Pedro Cegonho, manifestou o seu regozijo por poder contar com mais um núcleo literário significativo, ao lado da Casa Fernando Pessoa, em Campo de Ourique, e o seu desejo de reforçar a presença da literatura neste bairro de Lisboa através de uma rede de pólos de divulgação e criação literárias, para além dos já existentes.


E João Barrento evocou mais largamente o significado desta inauguração, a história e o sentido do trabalho do Espaço Llansol desde 2008 e as perspectivas futuras. Com as palavras que a seguir se reproduzem:

Amigas e amigos do Espaço Llansol
A chuva, que finalmente veio, quis acompanhar-nos neste dia em que lançamos a sementeira de uma nova casa que abriga um corpo vivo de escrita e um precioso conjunto de testemunhos de uma vida. É um sinal de renascimento desta a que chamámos desde logo, ecoando um título de Llansol, a Casa de Julho e Agosto. Sinal de regeneração que acompanhará, à nossa medida e nos campos da cultura, da leitura, dos encontros, da escrita, aquele outro renascer que todos esperamos para este país em seca desoladora. É esse o espírito que nos anima, é essa a nossa promessa – a de continuar e reforçar o trabalho iniciado há quase dez anos em torno da Obra e do legado de Maria Gabriela Llansol, agora neste lugar que a viu nascer e crescer e que, como ela previu num dos seus cadernos em 2001, se tornará, se tornou já, num lugar que abriga todo um universo aberto e pronto a ser partilhado com todos os que aqui vierem. Como ela escrevia nesse caderno, «esta casa tornou-se universalmente querida, pois mal abro a porta e entro nela, sei que ela estende continuamente o espaço para além dos limites das suas paredes...» (Caderno 1.60, 141).
E de facto assim é, porque o Espaço Llansol (que fundámos ainda com a Maria Gabriela em 2006), como diz o primeiro ponto da nossa Carta de Princípios, «não é apenas um lugar físico, mas também o lugar real, visível e invisível, disseminado pelo Texto de Maria Gabriela Llansol». E ainda: «Lugar de vida sob o signo dos afectos, no seu triplo registo: o Belo, o Pensamento e o Vivo». O Espaço Llansol, diz o último ponto dessa Carta, «é o jardim que o pensamento permite» – que reencontramos nesta nova Casa, lá fora, no pátio (e que havemos de usar com certeza, naquele longo rectângulo que já baptizámos, recorrendo a Causa Amante, de «Corredor da claridade»). O jardim é, aliás, para Llansol metáfora de um mundo-outro, um microcosmo onde não se «segue uma rota de exclusão da pujança», um espaço não utópico, mas potencial, que nela dá pelo nome de «a restante vida» – um horizonte ético e estético capaz de produzir ideias e beleza, formas de actuação que recuperem e reafirmem o que o passado, remoto ou recente, tem para oferecer de mais genuinamente humano, libertador e formador das consciências. Algo que nesta nossa Europa, perdida de si mesma, parece trazer-nos de volta aquela imagem que dela nos deu Augusto Joaquim, o companheiro de uma vida e o mais arguto legente desta Obra, logo na hora de nascimento do livro-fonte de Llansol, O Livro das Comunidades, que evocámos há pouco semanas no Centro Cultural do Cinema Europa: «Barbárie a Leste, lucro a Oeste, pobreza a Sul, neve a Norte».
Mas os tempos, os nossos, portugueses, pelo menos, parecem também querer hoje trazer um novo «perfil de esperança» ao «jardim devastado» do mundo, como a Maria Gabriela escreve nesse grande livro pessoano a contrapêlo que é Lisboaleipzig. Um perfil de esperança que, lemos no seu último livro, passa pela necessidade de saber «o que é o corpo, / o que é a luz, / o que é a força, / o que é o afecto, / o que é o pensamento...» É todo um programa que podemos seguir, sem ilusões nem pretensões utópicas, mas assumindo «o presente como destino» e continuando a escrever o texto de Llansol «na plena posse das nossas faculdades de leitura» – leitura desse texto iluminante e leitura do mundo, articulando-os.
Nesse perfil de esperança inclui-se, hoje, a desejada chuva, e com ela termino, pela voz de Maria Gabriela Llansol. Comecei por aí: a chuva... e o renascer... e o nosso trabalho aqui, o mais visível, como hoje, e o mais silencioso, que tanto mundo tem dado a conhecer. A Maria Gabriela sabia que ela viria, essa chuva regeneradora, e que a Casa iria acolher essa nova vida e esse mais-saber, e poderia ter agradecido com as palavras que lerei a seguir. Mas antes quero eu agradecer em seu nome a todos os que vieram, aos amigos de sempre e, last not least, às nossas incansáveis beguinas, laboriosas e sensíveis – a Vina, a Helena, a Albertina, a Teresa, a Cândida –, ao Diogo Dória, uma voz que nos tem acompanhado desde 2010, e naturalmente, a «Campo de Ourique, planície da amizade e da solidariedade», e àqueles que nos permitem agora espraiar o olhar por ela: a Dra. Catarina Vaz Pinto e o Dr. Pedro Cegonho, sem os quais não estaríamos aqui hoje.
Imagino então a Maria Gabriela a falar-vos assim, para vos agradecer, neste dia de chuva benfazeja em que ouço o eco da sua voz clara, lendo alto, como ela gostava de fazer:
Um dia de chuva é um dia propício ao enunciar de novos dias, obscuridade serena e bem-vinda.
A chuva corre agora na vertical,  eu sinto-me totalmente transparente e comunicante. A chuva é a minha base, equivalente a uma raiz.
Respiro / é um caudal de chuva apolínea que não faz esmorecer nem a alegria, nem a obscuridade, / de que tento reescrever, no princípio da aurora, / a relação simultânea.
O território desta casa, hoje, dia de chuva, estremece / como uma chávena nas mãos de Deus. (...) Faz parte da minha sobrevivência actual, é o caderno guardado onde escrevo os meus apontamentos...
... e a chuva desabando finalmente sobre a casa, / criando um espaço vazio que há-de ser sereno até à próxima tempestade...
Não. Não é a chuva miudinha, mas uma nascente hesitante a polvilhar-nos de luz. 
[E, de forma quase premonitória, naquele que seria o último livro que publicou em vida, Os Cantores de Leitura]:
O tempo volta a abrir as suas portas
Coincide com a chuva e a penetração
sombria do nevoeiro em mim
E transforma-se em claridade absoluta que paira sobre a Casa.


Maria Etelvina Santos leu um texto de Hélia Correia (ausente em Inglaterra) sobre esta hora do nascimento e as promessas da nova Casa, e o actor Diogo Dória deu-nos a ouvir um conjunto de fragmentos de Maria Gabriela Llansol que evidenciam a sua relação, de vida e de escrita, com este bairro de Lisboa onde nasceu (como melhor documenta o caderno que fizemos para a ocasião).

A Casa está aberta, são todos bem-vindos: amigos e investigadores, escritores e leitores, amadores de Llansol em geral.


10.11.17

REGRESSO A CASA


A minha infância ainda hoje me cumula com seus benefícios. 
Nesse tempo, o mundo era uma abóbada sobre a minha cabeça, 
onde constantemente se inscreviam cenas […] 
Agora, julgo que regresso às minhas fontes 
ou que viverei eternamente suspensa dessa abóbada.
(Maria Gabriela Llansol, Livro de Horas III)


Como já é do conhecimento de alguns, o Espaço Llansol tem uma nova casa, a que chamámos – et pour cause! –  «A Casa de Julho e Agosto». O espólio de Maria Gabriela Llansol regressou de facto, entre Julho e Agosto, ao lugar onde tudo começou, no bairro de Campo de Ourique, que a viu nascer e crescer para a escrita. Encontrou o seu lugar de origem, que é hoje o lugar natural da sua destinação, graças à generosidade e ao interesse da Câmara Municipal de Lisboa e da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, nas pessoas da Dra. Catarina Vaz Pinto (Vereadora da Cultura) e do Dr. Pedro Cegonho (Presidente da Junta).


Em finais de 2003, depois da morte de Augusto Joaquim, a Maria Gabriela manifestou o desejo de regressar às suas origens em Campo de Ourique. Isso não aconteceu, por razões circunstanciais de vária ordem, mas essa intenção, e manifestações claras do seu apego ao bairro de Lisboa que a viu nascer, estão hoje patentes para nós em muitas páginas dos seus cadernos de escrita. É aqui que desperta para o mundo e para a escrita, nos anos da infância e sobretudo nos da adolescência e juventude, antes do exílio belga, e depois de ter casado com o Augusto, em 28 de Setembro de 1965, na Igreja de Santa Isabel, precisamente no ponto de convergência da rua onde ele nasce – a Rua de São Joaquim, nº 11 – com aquela onde está a casa que acolhe agora o grande espólio de Llansol.
Entre o regresso da Bélgica, em 1985, e o fim da vida, Maria Gabriela Llansol nunca deixou de ir a Campo de Ourique nos anos em que viveu entre Colares e Sintra, durante muito tempo sempre à quarta-feira, para visitar a Lurdes, amiga de infância, frequentar os cafés, os restaurantes e as lojas do bairro, ou simplesmente sentar-se a ler e a escrever no Jardim da Parada à sombra da grande metrosideros excelsa, que haveria de evocar em páginas de Amigo e Amiga.
Por coincidência ou talvez não, assinalamos agora o seu regresso simbólico a este bairro e à rua que termina no cemitério onde ela repousa há quase dez anos. Regresso que acaba por não ser apenas o de um corpo, mas o de toda a escrita que dele nasceu ao longo de uma vida. A Rua Saraiva de Carvalho, entre Santa Isabel e Prazeres, é agora o eixo e o elo que liga corpo e escrita, a memória da «escrevente» e a presença viva de tudo o que nos legou.


Vamos abrir oficialmente a nova Casa (na Rua Saraiva de Carvalho, nº 8-1º andar) no próximo dia 24 de Novembro (aniversário da Maria Gabriela), pelas 18 horas, com uma sessão em que evocaremos, com leituras pelo actor Diogo Dória e com um caderno de inéditos, alguma da escrita de Maria Gabriela Llansol sobre Campo de Ourique, de 1949 a 2004. Projectaremos um video que dá conta da descoberta do espólio de Llansol e do que com ele fizemos entre as casas de Sintra e Lisboa. E contamos com a presença da responsável pela Cultura na Câmara Municipal de Lisboa e do Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique. 

22.10.17

UMA PORTA ENTREABERTA


Nas últimas Jornadas Llansolianas, em que evocámos os quarenta anos d' O Livro das Comunidades, tivemos o prazer de receber o poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo, que fez uma original reflexão poética a partir de escrita própria suscitada pela sua leitura de Maria Gabriela Llansol neste último ano. O resultado dessa verdadeira descoberta de uma «escrevente» que, segundo o poeta, tem lugar assegurado na história da literatura do século XX, foi um livro que nos trouxe (e que pode ser pedido ao Espaço Llansol [€ 8,00]), um belo conjunto de fragmentos poéticos – ou poemas em prosa fragmentários – que resultaram numa original e fascinante imitatio llansoliana. O título – Cruzar la puerta que quedó entornada [Atravessar a porta que ficou entreaberta] (Madrid, Editorial Polibea, na colecção de poesia «el levitador») – sugere, no seu registo enigmárico e ao mesmo tempo quotidiano, um primeiro olhar lançado a este universo tão particular que é o de M. G. Llansol, e que João Barrento, na introdução ao livro, relaciona nestes termos com o poeta catalão: 
«Estamos perante um Texto de uma singularidade radical, sem encenações, com o qual um dia – com surpresa, mas sem espanto – se encontrou a escrita multiforme e livre de José Ángel Cilleruelo. E constatamos que existe entre os dois uma espécie de entrosamento natural, uma simbiose de palavra e de mundos que mutuamente se respondem. Em particular numa mesma capacidade de levar as palavras até às raízes de um quotidiano que a imaginação – visual e activa, criadora – reflecte e transforma, fazendo 'acontecer' o mundo aparentemente estático e indiferente. Não interpretando-o, mas prolongando-o, quase sem costuras nem cesuras. Numa tapeçaria a quatro mãos, numa 'charla' cuja matéria e alimento é o pormenor revelador e revelado na palavra nova, e cujo instrumento maior é a atenção. Numa dupla, e tantas vezes convergente, 'biografia de olhares'».

Deixamos aqui, no original, dois fragmentos do livro, da secção «Biografia de la mirada»:




17.10.17

AS NONAS JORNADAS LLANSOLIANAS
em retrospectiva


Com um espectro de intervenções que não se poderia imaginar mais diverso e mais iluminante desse livro inaugural que foi O Livro das Comunidades, decorreram no passado fim de semana, na Biblioteca/ Espaço Cultural Cinema Europa, em Campo de Ourique, as IX Jornadas Llansolianas, desta vez totalmente dedicadas à evocação dos quarenta anos de vida desse livro de Maria Gabriela Llansol.
Pudemos de facto ouvir leituras e releituras d' O Livro das Comunidades em registos mais poéticos ou mais analíticos, de imitatio recriadora ou de leitura visual, de retrospectiva translatória ou de antecipação teatral – pelas vozes da escritora Hélia Correia ou do poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo, de estudiosos da Obra de Llansol como Silvina Rodrigues Lopes, Maria Etelvina Santos ou João Barrento, do pintor Pedro Proença, grande transmutador visual deste Texto, do tradutor de Madrid Mario Grande (aquele que mais livros de Llansol traduziu até hoje, com Mercedes Cuesta, do colectivo «Atalaire») ou do director artístico do Ponto Teatro (do Porto), Emanuel de Sousa, que projecta pôr em cena uma «Trilogia do Lugar» (entre heterotopias e heterocronias), a partir da «Geografia de Rebeldes» llansoliana.
O Presidente da Junta de Freguesia de Campo de Ourique, Dr. Pedro Cegonho, abriu a sessão de sábado à tarde, destacando o significado da presença do Espaço Llansol neste bairro de Lisboa, ao lado da Casa Fernando Pessoa, e anunciando o desejo de incrementar a rede de pólos literários em toda a zona de Campo de Ourique.
As leituras de excertos de Maria Gabriela Llansol em que a autora dá testemunho da sua ligação particular a este livro (pelas estudantes de teatro da ESAD das Caldas da Rainha, Jéssica Lopes e Mariana Marques) encerraram esta nona edição das Jornadas, permitindo a quem as ouviu perceber melhor como poucas vezes um livro terá sido visto pelo seu autor, ao longo de toda uma vida, como tão inequivocamente inaugural e seminal. O Livro das Comunidades estava de facto destinado a ser, na Obra de Llansol, «o livro dos poderes do livro», um dos subtítulos para ele previstos inicialmente. Na verdade, e contra o que é mais habitual, este livro iria assumir um lugar determinante como paradigma de uma escrita e de um lugar no mundo que haveria de marcar toda uma linhagem de livros e figuras, como «ponto de partida de uma espiral» cujas circunvoluções, ao longo de quase quarenta anos de escrita, acabariam por lançar um arco que une princípio e fim, O Livro das Comunidades (1977, mas já concebido a partir de 1971) e Os Cantores de Leitura (2007), como a própria autora reconhece, já em 2005, ao «sonhar» como «seria bom que cada simples recito [do seu último livro] se iniciasse com as primeiras palavras de cada Lugar d' O Livro das Comunidades. Ou, mais inequivocamente ainda, ao assinalar, no contexto de um primeiro «encontro de estudos» (que, em 2001, haveria de constituir a célula fundadora do Espaço Llansol), aquele livro como «o livro fonte da minha escrita e do meu lugar no mundo», e como «passo irreversível» que haveria de marcar o universo e o gesto escritural de toda uma Obra.
Clique no video que se segue para ver uma sequência fotográfica destas Jornadas:


9.10.17

IX JORNADAS LLANSOLIANAS:
40 ANOS D' O LIVRO DAS COMUNIDADES

Depois dos intensos quatro dias do Festival Silêncio, com Maria Gabriela Llansol em grande destaque, podemos anunciar as IX Jornadas Llansolianas, que este ano evocam os quarenta anos da publicação d' O Livro das Comunidades, visto neste fragmento por M. G. Llansol como o seu «livro-fonte»:
«O Livro das Comunidades é o ponto de partida de uma espiral; viria também a tornar-se o início de uma multidão de seres escritos (humanos e não humanos)… Não é um livro como os outros, é um livro-fonte; o seu começo leva-me a uma paisagem nocturna em que a água é uma claridade que já é madrugada… Não consigo crer que tenha sido escrito por mim, de tal modo me parece autónomo na sua toada e dizeres. Não se trata aí de secretar não importa que mundo imaginário identificado com a irrealidade. A imaginação a que me refiro faz conhecer. É a criação de um tecido de singularidades.»




As Jornadas deste ano realizam-se – em 14 e 15 de Outubro – pela primeira vez em Lisboa, no Espaço Cultural do antigo Cinema Europa, em Campo de Ourique (Rua Francisco Metrass, 28), não muito longe do novo Espaço Llansol, a casa que mudámos e preparámos nos meses de Julho e Agosto, e por isso ela se chamará assim a partir de agora: a «Casa de Julho e Agosto». Poderá ser visitada num dos dias das Jornadas, com inscrição prévia.
Teremos entre nós este ano, para além de membros e amigos do Espaço Llansol, o poeta de Barcelona José Ángel Cilleruelo, os tradutores de Madrid Mario Grande e Mercedes Cuesta, o actor e encenador do Porto Emanuel de Sousa, o pintor Pedro Proença… E esperamos encontrar nesses dias, agora em Lisboa, muitos dos que nos têm acompanhado nestes anos.

7.10.17

LLANSOL NO MIRA FORUM DO PORTO:
O QUE SE DISSE E LEU

Manuela Matos Monteiro e João Barrento

João Barrento e Maria Etelvina Santos

Emanuel Sousa e Daniela Gonçalves (do Ponto Teatro)

Como já antes noticiámos, estivemos no passado dia 23 de Setembro no espaço cultural Mira Forum, no Porto, a falar de Maria Gabriela Llansol. As intervenções de João Barrento e Maria Etelvina Santos, e as leituras pelos actores Emanuel Sousa e Daniela Gonçalves estão agora disponíveis no You Tube.

Pode ver e ouvir toda a sessão aqui: